19/10/10 | 8:35
DVisa apreende novos lotes de sucos vendidos irregularmente

Na segunda-feira (18), o Departamento de Vigilância Sanitária (DVisa), da Prefeitura de Manaus, apreendeu mais 88 garrafas de sucos de laranja comercializadas  irregularmente por ambulantes em diversos pontos da cidade. Na última sexta-feira (15), a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) havia divulgado o resultado de análises laboratorias feitas pelo órgão, que comprovaram a presença de coliformes fecais em 100% das amostras de sucos in natura apreendidas em fiscalizações anteriores, cerca de mil unidades.

O secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato, informa que o DVisa está verificando a procedência de denúncias encaminhadas ao órgão, sobre possíveis locais de produção e engarrafamento desses produtos, que estão sendo comercializados nas ruas, sem atender as normas do Código de Vigilância Sanitária e impondo riscos à saúde do consumidor. No ponto de fabricação onde for constatada a irregularidade, diz o secretário, o estabelecimento será lacrado e o produtor pode ser multado em até 400 Unidades Fiscais do Município (UFMs), o equivalente a R$ 24 mil. Os fiscais também continuarão as fiscalizações nas ruas. “Todos os frascos serão apreendidos e o ambulante será advertido sobre a irregularidade”, frisa.

A ingestão de sucos naturais contaminados, adverte o secretário Francisco Deodato, pode provocar infecções gastrointestinais leves (quando o paciente apresenta diarreia e vômitos). O quadro, no entanto, pode evoluir para diarreias sanguinolentas e febre alta, nas situações mais graves. Estes sintomas podem se manifestar, principalmente, em crianças e idosos. “Pedimos que as pessoas não consumam produtos nas ruas sem que, no rótulo, haja a identificação do fabricante, data de validade do produto e seja oferecido em condições adequadas de refrigeração e armazenamento”, frisa o secretário.

O diretor do DVisa, Varcily Barroso, observou que a quantidade de garrafas apreendidas na segunda-feira (18) pela fiscalização do órgão foi considerada pequena, em comparação ao volume recolhido em blitze anteriormente – quando havia lotes com cerca de 200 a 300 unidades. Na avaliação de Varcily, os ambulantes se sentiram inibidos em insistir na comercialização do suco, tanto em função da fiscalização quanto da divulgação das análises laboratoriais, que apontaram a contaminação do produto. “O ambulante sabe que corre o risco de ficar no prejuízo com o recolhimento do suco pela vigilância sanitária e também vê o consumidor passar a rejeitar o produto, agora que tem certeza de que ele oferece risco à saúde”, afirmou o diretor do DVisa.

Análises – O resultado da análise feita pelo Laboratório de Vigilância em Saúde da Semsa apontou que todas as amostras dos sucos, vendidas por ambulantes nos cruzamentos das principais avenidas de Manaus, apresentaram a presença de coliformes fecais. O resultado indica que os sucos são preparados em condições insatisfatórias de higiene, não atendem aos padrões exigidos pela vigilância para comercialização e oferecem riscos à saúde do consumidor.

Além de estarem fora do padrão indicado para o consumo humano, os produtos são comercializados em condições em que se eleva o nível de contaminação por coliformes fecais, segundo observa a gerente do Laboratório de Vigilância em Saúde do DVisa, a farmacêutica bioquímica Oneide Sena. As garrafinhas quase sempre são vendidas na rua, sem a refrigeração adequada, que deve ser entre 8o Celsius e 10o C para este tipo de item. Dessa forma, ficam expostas a altas temperaturas ambientes, de 38o C a 40o C, o que propicia a proliferação das bactérias já existentes no líquido, explica.

Reportagem – Adyam Litaiff.