13/06/11 | 9:45
Manaus registra redução de 40% nos casos de Malária

De janeiro a maio deste ano, o número de casos notificados de malária registrou uma redução de 40%, em Manaus, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 4.404 casos nos cinco primeiros meses de 2011, contra 7.346 em igual período de 2010. Apesar do excelente resultado, o secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato, alerta para um problema identificado no levantamento: na área do Tarumã, na zona Oeste, onde se registrou o maior número de casos, o foco principal é a invasão denominada José de Alencar. Somente nesta invasão foram registrados 36 casos em maio e, nos 10 primeiros dias de junho, já se contabiliza 38 pessoas com malária.

“Essa é considerada uma área de altíssimo risco, com tendência de crescimento no número de casos e com probabilidade de contribuir para o aumento da malária em outras regiões, porque as pessoas se deslocam de um lugar para o outro, disseminando a doença”, ressalta o secretário Francisco Deodato. Segundo ele, vários fatores contribuem para a explosão da malária na invasão José de Alencar. Dentre eles, o fato de ser uma área de mata, habitat natural do mosquito causador da malária – o Anopheles –, de estar localizada às margens de um criadouro (o rio) e de os moradores viverem em habitações não adequadas, que não os protegem do contato com o mosquito.

Além do caso específico da invasão José de Alencar, o secretário Francisco Deodato também chama a atenção para a chegada do verão amazônico, período de maior incidência da malária e que exige a intensificação das ações de combate à doença. “Além das ações de controle vetorial que são executadas pelos agentes de endemias da Prefeitura, é muito importante que a população esteja atenta aos cuidados que podem prevenir a doença”, afirmou Deodato.

Segundo o secretário, a redução do número de casos de malária em Manaus é fruto da intensificação das medidas de controle executadas pela Prefeitura, no segundo semestre de 2010 e início deste ano. Entre essas medidas, Deodato destaca as ações de busca ativa de casos (coleta de lâminas) em todas as localidades de alto risco, com garantia do início do tratamento em até 24 horas após o resultado do exame; realização de fumacê (termonebulização) de forma intensificada em localidades com alta infestação do mosquito e em locais mais afastados da área urbana, onde costumam acontecer os chamados retiros (encontros religiosos), e nos balneários; borrifação intradomiciliar, de forma seletiva, em áreas de risco para a transmissão de malária; entrega de mosquiteiros e telagem de casas nessas áreas; e a realização de campanhas de educação em saúde e mobilização social, inclusive nos finais de semana.

Mas o secretário observa que a redução das chuvas, a estabilização dos criadouros (rios, lagos e igarapés) e o aumento da temperatura propiciam, neste período do ano, o melhor desenvolvimento das larvas do mosquito causador da malária. Com a chegada do verão também aumenta a migração, principalmente nos finais de semana, de pessoas para áreas rurais, consideradas de alto risco. “Se não for possível evitar as áreas de risco, é muito importante que as pessoas sigam as recomendações para reduzir as chances de contato com o mosquito transmissor da malária”, orienta Francisco Deodato.

Pessoas que tenham passado pelas áreas de risco da malária devem ficar atentas e, se apresentarem os sintomas da doença, procurar de imediato uma unidade de saúde para a realização do exame de lâmina (gota espessa). Em caso de o resultado ser positivo, é preciso iniciar logo o tratamento e não interrompê-lo. O exame é feito a partir de uma gota de sangue retirada do dedo do paciente e está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde do município.

Febre, calafrios, dores de cabeça e pelo corpo, cansaço, palidez, falta de apetite, são alguns dos sintomas da malária. A doença pode evoluir para quadros mais graves, mas pode ser tratada com sucesso se for detectada precocemente.

Dicas para se prevenir contra a malária:

. Evitar as áreas de risco;

. Se isso não for possível, não se expor a áreas desprotegidas entre o anoitecer e as primeiras horas da manhã, período de maior atividade do mosquito   Anopheles;

. Usar repelentes no corpo;

. Colocar mosquiteiros ao redor da cama ou da rede;

. Colocar telas nas janelas e portas para dificultar a entrada dos mosquitos na casa;

. Permitir a borrifação intradomiciliar, realizada pelos agentes de endemias.

Tabela 1. Número de casos notificados de malária em Manaus por mês até maio.

2010 2011 VAR
jan 2046 1351 -34,0
fev 1988 938 -52,8
mar 1314 817 -37,8
abr 1007 596 -40,8
mai 991 702 -29,2
TOTAL 7346 4404 -40,0
Reportagem – Terezinha Torres e Margareth Queiroz.