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Corrida alerta para a importância do combate ao preconceito contra pessoas vivendo com HIV

Com 34 anos da descoberta do vírus HIV e apesar dos avanços no controle da doença, o preconceito ainda representa um desafio para as pessoas diagnosticadas com o vírus e também para a efetividade das ações executadas pelos serviços de saúde. Para alertar a população sobre o problema, a Prefeitura de Manaus promoveu neste sábado, 22/12, no Complexo Turístico da Ponta Negra, a 2ª Corrida Contra o Preconceito, que contou com 1 mil participantes inscritos.

 

 

“Além do fato do preconceito reforçar a fragilidade emocional dos pacientes, o estigma em relação ao HIV faz com que a sociedade como um todo evite falar sobre a doença. O resultado disso é que as pessoas não procuram as ações de prevenção, não fazem os exames para a detecção precoce, e, assim, não recebem tratamento. Com isso, as políticas de controle da doença são prejudicadas e têm a eficácia reduzida”, explicou o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi.

 

A atleta Raynielle Silva, que foi a primeira colocada na categoria feminina da Corrida, concorda que a informação é essencial para o combate ao preconceito. “Conheço uma pessoa que tem o vírus, e a amizade e o cuidado sempre prevaleceram na nossa convivência, mas ela sofre muito preconceito. Percebo situações difíceis, principalmente porque algumas pessoas acham que a transmissão acontece do nada e a gente sabe que não é assim. Então, acredito que a iniciativa da Prefeitura de Manaus em abraçar essa causa é muito importante”, afirmou Raynielle.

 

Reflexão

A Corrida contra o Preconceito foi organizada como uma das estratégias que a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) desenvolve, dentro da programação da Campanha Dezembro Vermelho, para o Combate ao HIV. O objetivo é chamar a atenção da sociedade e estimular a reflexão sobre os prejuízos causados pelo preconceito, tanto para a saúde física quanto mental, além das questões sociais.

 

De acordo com a diretora do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica (Devae/Semsa), enfermeira Marinélia Ferreira, atualmente, com os avanços da medicina, a pessoa que vive com o HIV pode ter uma boa qualidade de vida com o tratamento adequado, estudando e trabalhando, com o diferencial de que precisa receber medicação para que não fique doente.

 

“Os problemas começam quando essa pessoa declara que vive com o HIV. Ela passa a ter dificuldade em conseguir um emprego e sofre preconceito em seus relacionamentos. Sem apoio, seja da família, de amigos ou mesmo da equipe de saúde, esse paciente acaba apresentando dificuldades em aderir ao tratamento e, em consequência, fica doente, o que pode levar ao óbito”, alertou Marinélia.

 

Transmissão

Para combater o preconceito, a Semsa também trabalha intensificando as ações de Educação em Saúde para esclarecer sobre as formas de transmissão do HIV.

 

“O preconceito é causado normalmente pela falta de informação e por isso é importante reforçar que a transmissão do HIV não acontece com um aperto de mão, um beijo, um abraço, com o uso compartilhado de talheres ou pelo ar. Todos precisam entender que se pode conviver e apoiar as pessoas que vivem com o HIV sem risco para a própria saúde, na família, no trabalho ou nos círculos de amizade”, destacou Marinélia.

 

As formas de transmissão do HIV são: relações sexuais sem preservativo/camisinha (via vaginal, anal e oral); uso de seringa por mais de uma pessoa; transfusão de sangue contaminado; da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação, assim como  instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

Ações

Em Manaus, a Prefeitura tem buscado ampliar cada vez mais o atendimento aos pacientes na rede básica de saúde, que conta com quatro Serviços de Atenção Especializada (SAEs) e duas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) realizando o atendimento às pessoas vivendo com HIV. Também houve a ampliação da oferta de testagem rápida para garantir o diagnóstico precoce, com o serviço implantado em 147 UBSs, incluindo a Estratégia Saúde da Família (ESF), e com uma Unidade Móvel de Testagem para HIV, Sífilis e Hepatites B e C.

 

As ações de prevenção incluem ainda a distribuição de preservativos em todas as UBSs, mantendo um dispensador em local de fácil acesso para a população e qualquer pessoa pode pegar o preservativo, na quantidade que achar necessária, sem precisar fazer cadastro e sem burocracia.

 

Como ação de prevenção da doença, a Semsa prepara a implantação, no próximo ano, da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), um novo método de prevenção à infecção pelo HIV e que consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o vírus infecte o organismo, antes de a pessoa ter contato com o vírus.  Ainda em 2019, Manaus deverá fazer parte do projeto piloto do Ministério da Saúde na oferta do autoteste de HIV para populações-chave e pessoas/parceiros em uso de medicamento de pré-exposição ao vírus.

 

Dados Epidemiológicos

Entre janeiro e novembro deste ano, foram notificados 1.185 novos casos de HIV em residentes de Manaus. Do total geral desses casos notificados, 923 foram em indivíduos do sexo masculino (77,90%) e 262 do sexo feminino (22,10%). A maior prevalência foi para as faixas etárias de 15 a 49 anos de idade.

 

Texto: Eurivânia Galúcio/Semsa

Fotos: Divulgação/Semsa

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