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Prefeitura de Manaus, UNAIDS e Abrasco, em parceria com UFRGS e IFRS, promovem curso ‘Zero Discriminação HIV e Aids’

Em parceria com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), vai promover o curso “Zero Discriminação HIV e Aids”, direcionado a profissionais de saúde que atuam em Gestão e Atenção à Saúde, profissionais envolvidos com formação em saúde (educação, residência) e representantes da sociedade civil engajados na prevenção à doença e no combate ao preconceito. O lançamento do curso, que foi organizado em formato on-line, acontecerá nesta quarta-feira, 27/10, às 9h, no Casarão da Inovação Cassina, na rua Bernardo Ramos, Centro.

 

 

 

A chefe do Núcleo de Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids) e Hepatites Virais da Semsa, enfermeira Rita de Cássia Castro de Jesus, explica que o combate ao preconceito e discriminação é um dos focos das ações de controle do HIV/Aids na rede municipal, já que resultam em uma maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde, tanto no que se refere à procura pelo diagnóstico, quanto na adesão ao tratamento, além da desinformação de profissionais de saúde sobre o tema.

 

“Por causa da discriminação que ainda existe na sociedade em relação às pessoas que vivem com o HIV/Aids, a população tem maior resistência em buscar o diagnóstico precoce para a infecção, o que impede o início do tratamento em tempo oportuno, visando uma melhor qualidade de vida. Mesmo com o diagnóstico, pacientes têm vergonha de procurar a unidade de saúde para fazer o acompanhamento, principalmente quando não há o acolhimento de forma adequada por profissionais, o que dificulta a adesão ao tratamento”, destaca Rita de Cássia.

 

Com o curso, explica a enfermeira, o objetivo também é fortalecer uma cultura institucional nos serviços de saúde para que seja mais inclusiva, reduzindo dificuldades de acesso causadas por preconceito, misoginia, LGBTIfobia e falta de informação, contribuindo para facilitar o acesso das pessoas que vivem com HIV/Aids às Unidades de Saúde.

 

“O diagnóstico e o tratamento precoces do HIV/Aids, assim como acontece com qualquer outro agravo, permite um melhor controle da infecção, reduzindo o risco de complicações e óbito. Mas, para isso, é preciso que a população procure a unidade de saúde sem ter vergonha de buscar o atendimento, e seja recebida por profissionais capacitados para fazer esse acolhimento, também sem preconceito”, alerta Rita de Cássia.

 

A representante e diretora do UNAIDS no Brasil, Claudia Velasquez, destaca que o curso “Zero Discriminação HIV e Aids” está alinhado com a estratégia global do UNAIDS para 2021-2026, que tem um foco na resposta às desigualdades que, potencializadas pelo estigma e discriminação, dificultam ou impedem que as populações-chave tenham acesso à prevenção, tratamento e serviços de saúde que lhes garantem uma vida plena e saudável.

 

“Neste sentido, acreditamos que a educação, o acesso à informação baseada em evidências e o uso de uma linguagem não estigmatizante são elementos fundamentais para contribuir com profissionais de saúde para que possam prestar um serviço zero discriminação e aproximem os serviços de saúde de populações-chave e pessoas vivendo com HIV. Estamos muito felizes em oferecer este curso à comunidade”, disse Claudia Velasquez.

 

Como acessar

O curso on-line “Zero Discriminação HIV e AIDS” é estruturado no formato massive open online course (MOOC) e está disponível desde o dia 20/10 na plataforma Lumina, da UFRGS, de maneira aberta e gratuita. Para ter acesso, basta cadastrar-se na plataforma, por meio do link https://bit.ly/3BbQzmB, e responder a um questionário de perfil sociodemográfico.

 

Os materiais estarão no formato de videoaulas, podcasts, textos, caixas de ferramentas, bibliotecas de legislação, drops de áudios, audionovela e galerias de arte virtuais. O acesso pode ser realizado a qualquer momento por meio de smartphones, tablets e computadores. O curso tem duração de 90 horas e as pessoas participantes receberão um certificado de participação após concluírem todos os módulos.

 

“Mesmo que o curso possa ser acessado por profissionais de saúde de várias áreas, a Semsa definiu como foco inicial profissionais que trabalham no manejo em HIV, sendo quatro Serviços de Atenção Especializada (SAE) e três Unidades Básicas de Saúde (UBS) com manejo clínico em HIV”, informou Rita de Cássia, lembrando que o acompanhamento desses profissionais no curso será realizado pela Escola de Saúde Pública de Manaus (ESAP).

 

HIV e AIDS

A Aids é a doença causada pela infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV é a sigla em inglês), que ataca o sistema imunológico, reduzindo a defesa do organismo em relação às doenças. Com a baixa imunidade, há o surgimento de doenças oportunistas, como tuberculose, hepatites virais, pneumonia e toxoplasmose.

 

A transmissão do HIV pode ocorrer das seguintes formas: sexo vaginal, anal e oral sem camisinha; compartilhamento de seringas; transfusão de sangue contaminado; da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação; e pelo compartilhamento de instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

 

O município de Manaus registrou, de janeiro a 7 de julho de 2021, 399 novos casos de HIV (pessoas diagnosticadas com o vírus HIV, mas sem o desenvolvimento de sintomas da doença) e 269 casos de Aids (doença causada pelo vírus do HIV). No ano de 2020, o número de casos novos de HIV em Manaus foi de 986 e de Aids chegou a 524. No ano de 2019, foram notificados 1.284 casos de HIV e 629 de Aids.

 

Rita de Cássia explica que em 2020 houve uma redução na notificação de casos novos de HIV e Aids em comparação com 2019, mas isso pode ter relação com o impacto da pandemia da Covid-19, que exigiu um remanejamento nos serviços de saúde e que fez com que a população procurasse menos o atendimento na unidade de saúde para evitar o risco de aglomeração.

 

“Agora, com o maior controle da pandemia, o importante é que as pessoas procurem uma unidade de saúde para realizar o exame, sendo que 133 delas oferecem o teste rápido para HIV, além de sífilis e Hepatite B e C. Os preservativos estão disponíveis de forma gratuita nessas unidades e é uma das principais formas de prevenção”, lembra Rita de Cássia.

 

 

Texto – Divulgação / Semsa

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