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Prefeitura promove capacitação em psiquiatria para gerar resolutividade nas unidades de saúde de Manaus

A Prefeitura de Manaus iniciou a capacitação em psiquiatria para médicos da Atenção Primária em Saúde, nesta sexta-feira, 3/12. A abertura do evento aconteceu no auditório da Universidade Nilton Lins, no Parque das Laranjeiras, zona Centro-Sul. A proposta da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) ao ofertar o curso, é gerar resolutividade a partir da qualificação dos médicos que trabalham nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

 

 

 

 

Com duração de 30 horas, a programação da capacitação será dividida em sete módulos mensais com aulas teóricas e estudos de caso para que os médicos da área de clínica geral, que atuam nas UBSs, possam identificar um transtorno mental logo na fase inicial, e, a partir dessa identificação, ter condições de intervir com a terapêutica que cada pessoa necessita e acompanhá-la para verificar se há resposta positiva ao tratamento.

 

Se o paciente não apresentar sinais de melhora, será encaminhado aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que é o serviço especializado para esses atendimentos.

 

O subsecretário municipal de gestão da saúde, Djalma Coelho, abriu o curso e explicou que a crise sanitária causada pela Covid-19 gerou transtornos como a ansiedade, síndrome do pânico, depressão e outras condições mentais, e ao identificar essas alterações quando o quadro do paciente ainda pode ser classificado como leve, o médico contribui para gerar mais resolutividade.

 

“A atenção primária tem um papel estratégico para a condução e resolução dos casos mais leves, que quando identificados em sua fase inicial, têm mais possibilidades de responder bem à terapêutica e ao acompanhamento médico, sem necessidade de encaminhamentos aos serviços especializados dos Centros de Atenção Psicossocial. Por isso a qualificação desse profissional é fundamental”, assinalou.

 

A gerente da Rede de Atenção Psicossocial, Efthimia Haidos, reforçou que a saúde mental perpassa várias áreas de atendimentos do SUS, mas a porta de entrada é a atenção primária, e capacitar os médicos da área de clínica geral é a forma mais segura de evitar que muitos pacientes tenham seu transtorno agravado.

 

“A proposta é que os médicos que atuam na clínica geral façam uma intervenção preventiva quando os sinais de instabilidade do usuário ainda estão no início. Como não temos muitos psiquiatras, percebemos que precisamos qualificar os clínicos para esse atendimento. Muitos pacientes que estão nos Caps já estão estáveis e podem ser atendidos em seu território, onde será dada continuidade ao seu acompanhamento de saúde”, ressaltou.

 

Os Caps atendem pacientes com transtornos mentais graves e persistentes e também pessoas que fazem uso abusivos de álcool e outras drogas.

 

O médico psiquiatra Leandro Fajardo, servidor da Semsa lotado no Caps Benjamin Matias Fernandes, no bairro Parque Dez, zona Centro-Sul, e atual coordenador da disciplina de Psiquiatria Clínica da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), responsável pela capacitação, elogiou a iniciativa da Semsa e explicou que os conteúdos serão abordados de forma dinâmica e objetiva.

 

“Embora o tema psiquiatria seja bem diferente do campo de atuação dos clínicos, os conteúdos serão ministrados de forma a mostrar que com pequenas atitudes é possível obter bons resultados no atendimento a problemas relacionados à depressão, ansiedade, uso de drogas e outros aspectos da psiquiatria dentro da atenção básica em saúde. O objetivo é mostrar como essa contribuição e apoio pode se realizar na unidade de saúde”.

 

Para o clínico geral Paulo Santos, o curso representa a possibilidade de intervir em situações que podem ser resolvidas de forma mais breve e objetiva nas Unidades Básicas de Saúde.

 

“A minha intenção e de todos os colegas é justamente a oportunidade de conhecer as terapêuticas novas, esclarecer dúvidas e obter mais conhecimento sobre as doenças mentais, apoiar nossos pacientes para não sobrecarregar o atendimento especializado, facilitando inclusive a vida do próprio usuário, que poderá ser atendido e tratado na própria unidade de saúde”, acrescentou.

 

Segundo a médica Yalianys Rodrigues, cubana que está há pouco mais de sete anos no Brasil, a atualização sobre o tema foi o grande incentivo para que fizesse o curso.

 

“Nós aprendemos muitas coisas nas faculdades de medicina, mas a prática é sempre mais desafiadora e conhecer as novas formas de tratamento, abordagens e condução de pacientes é uma contribuição importante. Esse curso vai nos ajudar a ajudar o paciente”, sintetizou.

 

 

Texto – Tânia Brandão / Semsa

Foto – Camila Batista / Semsa

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